Hoje cedo antes de iniciar meus afazeres, li em um desses sites que derramam links laterais, e eu movido pela curiosidade sempre me deixo levar e clico, encontrei um poema escrito por Charles Chaplin chamado 'Quando me amei de verdade', na qual em sua 8° estrofe ele alegou atingir a plenitude quando conseguiu desligar-se do passado.
Bem, isso me chamou atenção pq eu percebi que desde 2017 deixei de evocar o passado com minhas nostalgias ao assistir comerciais, filmes, novelas e principalmente ouvir músicas antigas, a qual acreditava que minha felicidade ainda estaria lá. Não sei ao certo se eu me livrei ou apenas camuflei essa característica temporariamente, mas o fato é que atualmente penso muito em meu futuro, motivado pela conclusão da faculdade e pelo fim que infelizmente se aproxima do meu contrato de trabalho, da qual adoro.
Talvez eu até retorne, o que seria um retrocesso, com aquele saudosismo doentio, quando as coisas se ajeitarem, contudo eu vejo que pensar no presente e futuro é muito melhor que viver no passado, pois este me proporcionava agonia e tristeza.
Seguramente já percebi que depois dos meus 25 anos algumas observações e reações sofreram pequenas modificações, inclusive o meu público sexual (!), qual seja, pessoas mais velhas. No entanto, é em meus 27 que sinto como fui atingido por uma avalanche de auto reflexões acerca de mudanças que eu não consigo delinear precisamente, é como se a partir de agora, eu tenho que alterar algumas posturas minhas que até então eu estava completamente cômodo. As vezes é como se uma força externa me forçasse a não viver mais como adolescente, sempre me vi assim. Quando li que esta se estendeu até os 25 anos, eu concordei, pois me enquadrava, agora não mais, não fico mais confortável quando escolho em meu guarda roupa peças da década passada, eu tenho camisetas de quando eu estava com 16 (!), não sei explicar de onde surge esses avisos/ alertas/ desconfortos, é como se eu sentisse que estou em uma fase de transição, assim como também não sei sua origem, talvez a aparência atual esteja enviando 'mensagens' ao meu inconsciente que por sua vez me mostre somente de modo indireto que é hora de mudanças.
Não esperava que tais fenômenos viessem assim, eu estava muito tranquilo. Certa vez, quando entrevistei pelo meu trabalho uma moça um pouco mais velha que eu, da qual me atendeu com o rosto ''amassado'' pelo sofá quando via tv, estava em um emprego ''pouco nobre'', um supermercado, talvez pelo conforto proporcionado pelos pais, pois estes tinham uma boa remuneração e viviam em uma casa confortável. Ali me senti bem, como se minha impressão tivesse me dito, ''olha aí margi, ela tbm se veste e vive como alguém de 16 e está tudo bem, vc tbm está assim, está tudo tranquilo, não tem problema, somos jovens, ninguém se importa, não tem importância, rsrsr. Porém, de repente eu passei a me questionar em certos pontos.
Eu mudo de idade todo mês de junho, e de lá para cá fixei 2 amigos, ambos 5 anos mais jovem que eu, e eles vez ou outra me zombam por essa diferença (como se ela fosse significativa, aliás e se fosse, qual é o problema? Se o diálogo e os gostos se encaixam, não vejo motivo para essa discussão, até pq a rotulagem é só um desserviço, mas enfim).
O fato é que passei por um breve momento de crise existencial a esse respeito, uma vez que logo em seguida me vi desobrigado a mentir minha idade, eu me envelhecia 1 ano (!), por futilidade é claro além de tratar isso como um segredo, também outras pertubações que tornaram-se corriqueiras, como o temor de perder meu pai, de não aprender a executar corretamente meu oficio, pois minha formação acadêmica é ampla e diferente da área que estou, e dessa forma me vejo como se tivesse saído da faculdade do mesmo jeito que ingressei, sem conhecimento, branco como uma folha de sulfite.
Seja lá como for, essas inseguranças até então esconderam minha nostalgia, espero que de modo perpétuo, e quem sabe pelo menos atingi uma virtude das 9 que Chaplin citou em seu referido poema.
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